A CRI$E DO MERCADO

By 10 de Agosto de 2018Sem categoria

Basta você fazer uma pequena busca que encontrará inúmera new (e fake news) sobre a crise no mercado editorial.

Editoras fechando, livrarias dando calote em editoras, grandes redes sendo vendidas pra grandes redes, monopólio da distribuição em bancas e o monstro danado Amazon

Enfim, não vim aqui fazer uma análise técnica. Não sou analista e nem pesquisador muito menos economista, mas o problema está aí e tá nos grandes. Nos grandes que sempre determinaram o que iriamos ler, quanto gastar, como vender e o que iriamos ganhar com isso e é esse o meu ponto de vista, o de consumidor e artista.

Como consumidor e amante dessa arte, me incomodou muito essa postura que o mercado assumiu de praticamente elitizar o quadrinho. Capa dura, couchê mega brilhoso e pesadão, edições de luxo pra cá e pra lá em trabalhos que, sinceramente, não precisavam disso. Nessa, ao invés do quadrinho se popularizar ganhando novos leitores, está ficando cada vez mais segregado.

Como artista eu tinha um pensamento de que precisava MUITO das editoras e livrarias (já que banca ficou impossível pros independentes). até lançar Carnívora e viver tudo por dentro.
A primeira delas foi justamente a banca. Ouvimos sempre que o que forma o leitor é banca maaaas, não é em assim (depois eu volto aqui). Você não tem nem a quem recorrer pra demandar seu trabalho nas bancas.
Depois a livraria. “pooo, vai ser bem legal as livrarias estarem cheios de quadrinhos. Melhor ainda com os nacionais. a galera vai ver que estamos no mesmo patamar que Marvel, DC, Image e companhia”. Não, meu caro. Não! Seu quadrinho vai ficar, na melhor das hipóteses, atrás de uns 8 quadrinhos gringos e agradeça se não tiver amaçado. Isso seu gibi sendo lançado por editora. Ele ganha um pouco mais de destaque quando a editora tem uma força maior diante das redes, mas ainda assim, a livraria cobra um valor absurdo pelo preço da capa, a editora precisa tirar o dela tb e o que sobra pro autor? o motivo de tudo isso existir– a conta de tudo.

Aí, vem o monstro Amazon. Atualizada nos rolês virtuais, vem derrubando preço de tudo e facilitando a vida de quem quer sua estante supimpa. super promoções, preço acessíveis (até eu comprei pq não acreditei no preço) deixando minha parte consumidor mas satisfeito e a parte artista, menos burocracias e até onde sei, por quem distribuí por ela, vem um dindim respeitável e um feedback legal.  For atoda a facilidade e cumprimento da logística. Somado a isso, a danada se aproveitou da crise pra aplicar usa estratégia e vem vencendo.

Porém, entretanto, todavia. Se as redes de distribuição fecham deixando só a Amazon, temos um novo monopólio e a exemplo do que aconteceu em outros países, vamos pagar, literalmente, caro por isso. Como a única do mercado, ela pode tacar o preço que quiser sem ninguém pra concorrer.

Podemos ter uns “mas isso e aquilo” de acordo com nossas leis, mas no geral é esse o retrato

Bom, agora falando como independente, o que vejo nisso é aquele oportunidade de fomentarmos esse mercado ameaçado. Os eventos geeks vem canhando força pelo país a fora. O Artist Alley virou a moda geral neles e com isso mais e mais artistas tem a chance de se apresentar ao público. mas e depois de nos apresentarmos, o que rola?

É exatamente aí que devemos nos ligar. de 2009 pra cá o quadrinho de autor/independente vemos ganhando uma força absurda, tanto em números como em qualidade, mas prece que tudo se estagnou nisso: Temos a ideia, produzimos, buscamos um financiamento e se der deu se não der passo pra outra. Se consigo, pego meus mil/2 mil exemplares vendo o que conseguir vender e já vou pra outra aventura. Um esforço hercúleo pra todos, mas quem já um condição financeira maior sempre parte da pole position. Mas vendo isso como mercado, essa quantidade de livros que um autor, sozinho, consegue produzir, não cobre nem um bairro da minha cidade, então como podemos podemos nos aproveitar dessa crise? internet, my friend, internet.

Aprendi com o meu livro que mesmo ele sendo distribuído pra todas as redes de livrarias, bancas e comic shops pelo país, o leitor não via dar 30/50 conto num livro que ele não conhece (volto naquele “maaaas” da banca). Antigamente nos prestávamos a isso pq o gibi na banca saia por no máximo 5 reais. Lembro disso pq foi assim que conheci a Heavy Metal, que na época custava uns 7 reais. Hoje ninguém arrisca, a não ser nos eventos pq vc, dono do boi, está lá pra engordá-lo e é essa ideia que quero passar. Engordar seu boi nas redes… parar com essas discussões de algorítimos pra cá e pra lá e entender o processo, se não conseguir entender, cola com alguém que saiba. Fale muuuito do seu bigi. Aumente a vida útil dele o máximo possível. Torne-o conhecido, falado.

O que a nossa cena, como um todo, precisa agora é cuidar da logística. Do marketing. Não é papo capitalista, é papo que meu trabalho só depende de mim pra ganhar espaço. É papo de quem tá vendo modelos de 30/40 anos ruírem e todos ficaram desesperados. É papo de quem cansou de ver artista se matando em 2 trampos pra sustentar seu quadrinho pq a editora não tem condições de bancá-lo.  É papo de quem vê pequenas editoras e muitos aristas entenderem esse mecanismo e quando são perguntados sobre a crise, respondem: “que crise?”

Não tô aqui pregando contra editoras e livrarias, mas dizendo que os tempos estão mudando e estamos vivendo no exato epicentro dessa mudança. Onde todas as definições caíram e tudo, eu disse TUDO pode acontecer. Então pq não a tão esperada ascensão da nossa cena para que ele se torne um mercado?

Como disse, os eventos estão aí. as pequenas comic shops que admiram e querem trampos nacionais tb e a internet tb. Então tire FB e insta do modulo treta e comece a usar  no modulo profissional e use tudo que puder -menos o coleguinha como escada, nesse momento ÉTICA É TUDO e vai fazer toda a diferença- pra expandir seu trabalho.

Então, artistas, a hora é agora. Se não fizermos, “eles” irão fazer! vide mercado fonográfico onde a pirataria quase o derrubou, mas as gravadoras marotas criaram os streams de musica o rebelde de antes que baixava mp3, agora fica todo faceiro compartilhando playlist no spotify

Como público, compre dos pequenos. visite comic shops, compre lá.. mesmo se for um pouquinho mais salgado. Procure pelos artistas nacionais. Temos histórias ótimas! Compareça nos eventos da sua cidade, a maior parte deles ainda é gratuito. Pesse no AA e vejo as produções

Aí sim, talvez, consigamos transformar isso a nosso favor.

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