A CRI$E DO MERCADO

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Basta você fazer uma pequena busca que encontrará inúmera new (e fake news) sobre a crise no mercado editorial.

Editoras fechando, livrarias dando calote em editoras, grandes redes sendo vendidas pra grandes redes, monopólio da distribuição em bancas e o monstro danado Amazon

Enfim, não vim aqui fazer uma análise técnica. Não sou analista e nem pesquisador muito menos economista, mas o problema está aí e tá nos grandes. Nos grandes que sempre determinaram o que iriamos ler, quanto gastar, como vender e o que iriamos ganhar com isso e é esse o meu ponto de vista, o de consumidor e artista.

Como consumidor e amante dessa arte, me incomodou muito essa postura que o mercado assumiu de praticamente elitizar o quadrinho. Capa dura, couchê mega brilhoso e pesadão, edições de luxo pra cá e pra lá em trabalhos que, sinceramente, não precisavam disso. Nessa, ao invés do quadrinho se popularizar ganhando novos leitores, está ficando cada vez mais segregado.

Como artista eu tinha um pensamento de que precisava MUITO das editoras e livrarias (já que banca ficou impossível pros independentes). até lançar Carnívora e viver tudo por dentro.
A primeira delas foi justamente a banca. Ouvimos sempre que o que forma o leitor é banca maaaas, não é em assim (depois eu volto aqui). Você não tem nem a quem recorrer pra demandar seu trabalho nas bancas.
Depois a livraria. “pooo, vai ser bem legal as livrarias estarem cheios de quadrinhos. Melhor ainda com os nacionais. a galera vai ver que estamos no mesmo patamar que Marvel, DC, Image e companhia”. Não, meu caro. Não! Seu quadrinho vai ficar, na melhor das hipóteses, atrás de uns 8 quadrinhos gringos e agradeça se não tiver amaçado. Isso seu gibi sendo lançado por editora. Ele ganha um pouco mais de destaque quando a editora tem uma força maior diante das redes, mas ainda assim, a livraria cobra um valor absurdo pelo preço da capa, a editora precisa tirar o dela tb e o que sobra pro autor? o motivo de tudo isso existir– a conta de tudo.

Aí, vem o monstro Amazon. Atualizada nos rolês virtuais, vem derrubando preço de tudo e facilitando a vida de quem quer sua estante supimpa. super promoções, preço acessíveis (até eu comprei pq não acreditei no preço) deixando minha parte consumidor mas satisfeito e a parte artista, menos burocracias e até onde sei, por quem distribuí por ela, vem um dindim respeitável e um feedback legal.  For atoda a facilidade e cumprimento da logística. Somado a isso, a danada se aproveitou da crise pra aplicar usa estratégia e vem vencendo.

Porém, entretanto, todavia. Se as redes de distribuição fecham deixando só a Amazon, temos um novo monopólio e a exemplo do que aconteceu em outros países, vamos pagar, literalmente, caro por isso. Como a única do mercado, ela pode tacar o preço que quiser sem ninguém pra concorrer.

Podemos ter uns “mas isso e aquilo” de acordo com nossas leis, mas no geral é esse o retrato

Bom, agora falando como independente, o que vejo nisso é aquele oportunidade de fomentarmos esse mercado ameaçado. Os eventos geeks vem canhando força pelo país a fora. O Artist Alley virou a moda geral neles e com isso mais e mais artistas tem a chance de se apresentar ao público. mas e depois de nos apresentarmos, o que rola?

É exatamente aí que devemos nos ligar. de 2009 pra cá o quadrinho de autor/independente vemos ganhando uma força absurda, tanto em números como em qualidade, mas prece que tudo se estagnou nisso: Temos a ideia, produzimos, buscamos um financiamento e se der deu se não der passo pra outra. Se consigo, pego meus mil/2 mil exemplares vendo o que conseguir vender e já vou pra outra aventura. Um esforço hercúleo pra todos, mas quem já um condição financeira maior sempre parte da pole position. Mas vendo isso como mercado, essa quantidade de livros que um autor, sozinho, consegue produzir, não cobre nem um bairro da minha cidade, então como podemos podemos nos aproveitar dessa crise? internet, my friend, internet.

Aprendi com o meu livro que mesmo ele sendo distribuído pra todas as redes de livrarias, bancas e comic shops pelo país, o leitor não via dar 30/50 conto num livro que ele não conhece (volto naquele “maaaas” da banca). Antigamente nos prestávamos a isso pq o gibi na banca saia por no máximo 5 reais. Lembro disso pq foi assim que conheci a Heavy Metal, que na época custava uns 7 reais. Hoje ninguém arrisca, a não ser nos eventos pq vc, dono do boi, está lá pra engordá-lo e é essa ideia que quero passar. Engordar seu boi nas redes… parar com essas discussões de algorítimos pra cá e pra lá e entender o processo, se não conseguir entender, cola com alguém que saiba. Fale muuuito do seu bigi. Aumente a vida útil dele o máximo possível. Torne-o conhecido, falado.

O que a nossa cena, como um todo, precisa agora é cuidar da logística. Do marketing. Não é papo capitalista, é papo que meu trabalho só depende de mim pra ganhar espaço. É papo de quem tá vendo modelos de 30/40 anos ruírem e todos ficaram desesperados. É papo de quem cansou de ver artista se matando em 2 trampos pra sustentar seu quadrinho pq a editora não tem condições de bancá-lo.  É papo de quem vê pequenas editoras e muitos aristas entenderem esse mecanismo e quando são perguntados sobre a crise, respondem: “que crise?”

Não tô aqui pregando contra editoras e livrarias, mas dizendo que os tempos estão mudando e estamos vivendo no exato epicentro dessa mudança. Onde todas as definições caíram e tudo, eu disse TUDO pode acontecer. Então pq não a tão esperada ascensão da nossa cena para que ele se torne um mercado?

Como disse, os eventos estão aí. as pequenas comic shops que admiram e querem trampos nacionais tb e a internet tb. Então tire FB e insta do modulo treta e comece a usar  no modulo profissional e use tudo que puder -menos o coleguinha como escada, nesse momento ÉTICA É TUDO e vai fazer toda a diferença- pra expandir seu trabalho.

Então, artistas, a hora é agora. Se não fizermos, “eles” irão fazer! vide mercado fonográfico onde a pirataria quase o derrubou, mas as gravadoras marotas criaram os streams de musica o rebelde de antes que baixava mp3, agora fica todo faceiro compartilhando playlist no spotify

Como público, compre dos pequenos. visite comic shops, compre lá.. mesmo se for um pouquinho mais salgado. Procure pelos artistas nacionais. Temos histórias ótimas! Compareça nos eventos da sua cidade, a maior parte deles ainda é gratuito. Pesse no AA e vejo as produções

Aí sim, talvez, consigamos transformar isso a nosso favor.

Excelsior

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Há pouco mais de uma semana a cena carioca de quadrinhos perdeu o seu maior realizador e o quadrinho de forma geral um apaixonado. João Paulo, popularmente conhecido por Carpalhau.
Sua paixão pelos quadrinhos era intensa.  Por ser dislexo, aprendeu a ler com os gibis então lutava ferrenhamente para expansão dessa arte, principalmente para as crianças.

Demorei um pouco pra falar disso no blog pq senti e ainda sinto muito essa perda. Carpa era parceiro e por mais que divergíssemos em alguns pontos, tínhamos planos e o mesmo objetivo, o do quadrinho ser para todos!

Conversávamos sobre fazer mais trampos juntos, no fim só saiu um “Pedra Rara”, pela Capa Comics (selo que fundou em 2013 junto com outros artistas em Duque de Caxias), onde desenhei uma das histórias que ele escreveu.

Grande fomentador cultural e que levava a baixada com ele para onde fosse e levava cultura de onde fosse para abaixada. Sua paixão pelos quadrinhos como arte e cultura inclusiva era feroz ao quadrinho como um braço do mercado geek, que mais segrega do que une e inclui.  A cabeça do cara não parava e a vontade de botar todos no barco era o motivador. política de exceção não era com ele. a parada era inclusão total.

Ele sabia que os quadrinhos poderiam salvar a molecada da baixada e das regiões periféricas. Ele sabia do poder dos quadrinhos para dar uma direção praquele cabra perdido.

Criou a #gibizeira. Evento itinerante onde o artista não pagava mesa. Era de grandes eventos literais, bares, shoppings e até nas estações de trem. como disse, ele queria o quadrinho para TODOS.

O cara era phoda!

foi encontrado por sua esposa, quando mexia em seu computador, os 10 conselhos dele para produzir arte:

1) Quando você começa uma carreira nas artes você não tem ideia do que está fazendo: Se não sabe o que é impossível, não é difícil realizar;
2) Se você tem uma ideia do que vai fazer, então simplesmente faça;
3) Quando você começar, vai ter que lidar com os problemas do fracasso;
4) Espero que você erre: se você erra significa que está fazendo algo.
5) Os problemas do sucesso são maiores do que do fracasso;
6) Conhecimentos secretos: Autoconfiança;
7) “Isso é ótimo, você deveria aproveitar”: Viva a viagem;
8) O mundo está mudando, as velhas regras caindo e ninguém sabe o que vira. Deste modo crie a suas próprias regras;
9) Se não puder ser sábio, finja ser. Mas faça o que um sábio faria;
10) Deixe o mundo mais interessante por você estar aqui: Faça boa arte

no resta agora seguir esses mandamentos

Deixou aqui tb uma linda e forte homenagem do Rapha Pinheiro: Escelsior!

CCXP > ENEM

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ser aprovado na CCXP ganhou proporções maiores do que ser aprovando no ENEM ou em primeiro lugar em medicina numa universidade federal. e não é pra menos, é o evento que mais representa o universo geek e, se não me engano, é o único (no formato comic con) que dá uma importante visibilidade ao AA (Artists’ Alley – vila dos artistas). sem falar na rotatividade de pessoas. então, quem não quer estar nele? o Brasil inteiro passa lá e isso é bom para os negocio$.

e é sobre negócios que quero falar. é inquestionável o amadurecimento profissional dos artistas independentes, muito disso atribuo a galera da publicidade e design que decidiram chutar o balde e partir de vez pra nona arte e principalmente ao crowdfunding, que fez o povinho das tintas se virar e começar a apresentar trabalhos com um nível visual que não tínhamos antes. mas e agora, o que se faz com isso?

esse ano as regras das inscrições para o evento mudaram e com muita paciência, os organizadores avaliaram uma a uma e deu dicas nos grupos do FB (meo, que faculdade, órgão publico ou até mesmo evento faz isso) e muita gente foi entendendo onde estava errando.

a forma que você se apresenta profissionalmente pode definir o resto de sua carreira (ou se vai ter uma). e uma inscrição bem feita é um belo começo. afinal, para um concurso, faculdade ou aquele edital maroto (esse mais ainda) pra pegar um din din pro seu projeto você precisa ter sua inscrição impecável.  é você que deseja o lugar, estar nele, fazer parte dele. você e a torcida do flamengo. então imagina. não se enganem, inscrições para evento pode ser um ótimo exercício pois ele diz muito como você se enxerga.

depois vem o “se vender” para o público.

antes tínhamos uma postura (e uma parte significativa ainda tem) meio “artes plasticas” que, resumidamente,  é fazer o que a “inspiração” me diz e quem gostar que compre. nos quadrinhos não dá. é caro, leva muito tempo e sim, você faz diretamente para uma outra pessoa. uma pessoa bem diferente de você, com outras aspirações, passado, presente, pretensões ao futuro, enfim, outra pessoas e é com ela que você precisa se comunicar e isso se faz com histórias boas. maaaas, para que essa história boa chegue a elas você precisa estar onde elas estão INTERNET \o/ e é lá. um lugar onde milhares delas transitam de uma vez só. isso gera expectativas monstras que podem se tornar frustrações avassaladoras. é culpa do evento? do público? do coleguinha de mesa? você precisa saber vender, precisa ser “queridx” e pra isso você precisa se comunicar de forma direta com quem vai “te consumir”, com quem vai ser seu público. sacas?! internet é importante, mas em outra esfera. estou dizendo sobre o olho no olho. a pessoa falar direto com você.  a pessoa falar seu nome e você o dela. grandes negócios não se fecham por email. é ali, na mesa de reunião. no aperto de mão.

sei que é preciso engolir vários sapos ao decorrer do evento. repetir várias vezes a mesma história e ainda lidar com piadinhas e no final ter que re-arrumar a mesas mil vezes depois que o furação público passa. mas é pra ele que trabalhamos. pra ele que tu faz quadrinhos (depois daquela paixão pelo danado e empolgação de ter feito o primeiro gibi), com ele que você se comunica e é ele que deve ser seu principal parceiro de negócios. uma vez conquistado é fazer a manutenção e acredite, ele pode te levar longe 😉

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não temos um público leitor formado. isso está surgindo agora. do mesmo jeito que não temos quadrinista profissionais trampando pro nosso mercado apenas. viver com quadrinho autoral então– vixi, nem sei quando ou e se isso vai rolar. mas a oportunidade está dada. desengaveta aquela história. entenda que você não é o pior, muito menos o melhor contador de histórias de todos. números de curtidas e seguidores NÃO GARANTEM NADA!!! -não adianta ter um milhão te seguindo se apenas cem compram seu gibi e 50 apoiam seus projetos.

não! este post não é uma promoção ou defesa ao evento e sim de mostrar que essa (assim como outros eventos) é uma baita oportunidade de começar a por em pratica essas ideias. confiamos demais no “mago internet” e achamos que ele vai resolver tudo. não vai! não foi aprovado? ótimo, você está vendo onde está errando. conserte, melhore. de longe você só tem a ganhar. bora! up, up!! foi aprovado? legal! faça um bom trabalho e trate bem o seu público!! você está ali pra servi-lo com o que você tem de melhor, sua arte.

PRÊMIO MELHORES DE 2017

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#REVELESEUPODER  trabalho para Risqué/DC junto com a agencia  Lew’Lara\TBWA foi um dos contemplados no prêmio “Melhores do ano 2017” na área de licenciamento da Warner Bros. Entertainment  junto com:

– Riachuelo, com a linha de camisetas e produtos com estampas exclusivas criadas por Eddy BarrowsIvan Reis e Adriana Melo, com cores de Natália Marques
– Itubaína, com a linha de garrafas colecionáveis da Liga da Justiça com arte de Ivan Reis Art

muito grato a Chiaroscuro pela oportunidade. um trampo desafiador, mas muito bom de ter realizado.

 

ASSASSIN’S CREED ORIGINS

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Issue #1 of the #AssassinsCreedOrigins comic series and, as previously announced, it will come with a free redeemable game code for the game (Shamshir blade). Take a look at these preview pages and first review!

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foi lançado esse mês o primeiro número da série de Assassin’s Creed Origins  como expansão do jogo, onde eu cuido das artes (com cores de Dijjo Lima e escrito por Antony Del Col). aqui está o primeiro review (em inglês).

Uma Luz Negra Para Nos Espelhar

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NÃO É SOBRE DESENHO

o título foi sobre o meu primeiro artigo publicado no ultimo domingo (11 de fevereiro) n’O GLOBO falando da importância para representatividade do filme Pantera Negra.

isso, sem dúvidas, entra para o roll das coisas que nunca imaginei que iria fazer nessa vida. fiquei muito feliz e grato pela oportunidade.

LEIA O ARTIGO

SPACE GIRL

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mesmo fazendo o que gosta e o que veio ao mundo pra fazer, tem dias que bate aquele desanimo e o que fazer? continuar desenhando.

aí vc pega tudo que te agrada, orelhinhas pontudas, rabão de cavalo, arma laser eeee, maiôoo e o exercício fica menos massante e tedioso.

GHOST IN THE SHELL

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é pra mim disparada a melhor franquia. tudo me encanta. lembro que as únicas informações que eu tinha sobre GITS, láaaa no finalzinho dos 90, era pela revista ANIMAX. tudo aquilo me instigava muito. desde o título, o design dos robôs aranha e, claro, a MAJOR. e quando finalmente pude ver a animação, só constatou o óbvio.

fiz a ilustra depois de assistir ao filme que por mais controverso e muita gente não ter gostado, gostei a beça (quase amei) e foi a porta de entrada pra minha pequena curtir e conhecer minha personagem preferida que amo.

e pra completar a farra, a ilustra ganhou as cores do monstro MARCELO MAIOLO.

 

THE PUNISHER

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um dos prints que fiz para #ccxp2017

o bacana foi “soltar o braço” jogar a tinta com força no papel e ir moldando a forma. no meio de tanto traço “certinho” dar uma aloprada dessas de vez em quando é bom e é um ótimo exercício.